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Música na Educação Infantil

Foto: Magno Francisco de Carvalho - Turma de EI

Portfólio elaborado segundo as orientações da disciplina Música na Educação Infantil do curso de pós-graduação em Práticas Musicais na Educação Básica (PMEB) do Colégio Pedro II - Campus São Cristóvão/RJ

 

Professora Wasti e Professor Ronaldo Cotrim

 

Autor : Magno Francisco de Carvalho

Aluno pós-graduando

A principal finalidade

Fórum 1 - Magno Francisco de Carvalho

A música é um potencial humano presente em todas as culturas que perpassa todo ambiente social de uma comunidade de diferentes formas nas diferentes épocas. Como parte da construção de uma identidade está presente na formação do cidadão. Como ferramenta que permite as descobertas e criações, a música desperta a individualidade consciente que contribui na coletividade, no respeito mútuo, na postura crítica e sensibilidade frente as necessidades do ser e do seu próximo. 

A neurociência ha mais de 30 anos estuda os efeitos da música no cérebro humano demonstrando como simples aprendizagens musicais rítmicas e melódicas alteram a anatomia do órgão. Isto é, criam novas conexões neurais. A música desenvolve o cérebro e, de maneira construtiva, pode contribuir significativamente no desenvolvimento das demais disciplinas escolares e áreas da vida.

Com a opinião, as crianças:

Para que serve as aulas de música? Entrevistas com crianças.
Para que serve as aulas de música? Entrevistas com crianças.

Fórum 2

O que mais chamou a atenção nas falas das crianças? Reflita acerca das diferenças do olhar infantil e adulto com relação à música na escola.

 

por Magno Francisco de carvalho - quinta, 26 set 2019, 17:36.

"... pra brincar..."; "... pra ensinar outras crianças..."

Os adultos podem ter a falsa impressão que as crianças são eles (adultos), em miniaturas, ou tábulas rasas, cabeças vazias prontas à receber informação. Porém, elas já são seres criadores e descobridores, a curiosidade sempre as estimulam, por isso, a brincadeira na Educação infantil, o caráter lúdico é fundamental. O prazer de aprender é evidenciado pelos jogos e brincadeiras nessa fase que contribuem para o interesse em continuar a aprender, descobrir, criar...

No vídeo, no trecho 2':21", uma aluna diz: "É... pra gente... aprender músicas super legais pra ensinar outras crianças que não sabem"(Grifos meus). Uma característica favorecida pelo sociointeracionismo na mediação entre aluno-aluno. Aqui vemos o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) desenvolvida por Levi Vygotsky que podemos resumir assim: a criança apreende com alguém mais experiente hoje o que fará amanhã sozinha. 

PARTE 1

Porque música na escola?

“Por que Música na Escola?”-  reflexões Carlos Kater

Necessidade de expressão humana, intensa e profunda, que faz parte não de uma época, moda ou classe social particular;  mas que acompanha toda a humanidade, desde os seus primórdios, em qualquer ponto do planeta, em todas as culturas, ao longo de todas as fases de seu desenvolvimento. A presença da música na escola está amparada pela Lei n°11.769/2008, tornam-se pertinentes outras questões. A qual música nos referimos; que estilos, gêneros, formas de manifestação temos em mente? Como, de fato, ela ou elas serão oferecidas, abordadas, tratadas?

Na realidade, parece sensato considerar não a presença da “música” na escola – com as funções diversas que ela pode adquirir na vida social – porém, mais precisamente, da “educação musical”. Para os alunos não os situando na condição predominante de “público”, nem restringindo a “música na escola” a apresentações, à música das aparências, das comemorações visíveis e exteriores. Alternativas que ofereçam condições a crianças e jovens de tomarem contato prazeroso e efetivo com sua própria musicalidade, desenvolvê-la e vivenciá-la, mediante experiências criativas, a música em seu fazer humanamente integrador e transformador; o que significa desenvolverem seus potenciais, conhecerem-se melhor e qualificarem sua existência no mundo. Cultivo da sensibilidade, criatividade, escuta, percepção, atenção, imaginativo, liberdade de experimentar, coragem do risco, respeito pelo novo e pelo diferente, pelo que é próprio a cada um e também ao “outro”, construção do conhecimento com autonomia, responsabilidade individual e integração no coletivo etc., não são apenas termos de discurso.   

Uma educação que instaure um espaço de acolhimento pelo “brincar” no sentido original do termo, isto é “criar vínculos”, uma das necessidades fundamentais da dimensão humana, indo, sem dúvida, muito além do relacionamento exclusivamente técnico-executivo entre aluno x professor x classe, ainda tão frequente na realidade de muitas salas de aula. inverte-se a preponderância de uma formação para a música por uma formação pela música, tornando possível aos alunos inscreverem-se num espaço de construção do sujeito, no qual estratégias dinâmicas de aprendizado (as lúdicas, por exemplo) permitem um “desaprisionamento” individual que favorece a apreensão da questão da identidade e da alteridade (fundamento do desenvolvimento humano). 

Considerar a educação musical como uma instância de construção e exercício da autonomia pessoal do aluno e de sua participação ativa em sociedade não representa mais uma visão romântica, idealista, utópica, como durante muitos anos foi feita a crítica. No lugar de uma “Música na Escola”, as “Músicas das Escolas”. Uma abordagem de campo ampliado, integrando ao processo educativo procedimentos criativos a fim de trazer à tona e dar voz à expressão pessoal dos alunos, engajando-os em seus próprios aprendizados e formação. Dai esperarmos que a “música na escola” tão reivindicada não se confunda com um fazer musical pedagogicamente descompromissado, de lazer e passatempo, nem que a educação musical seja aprisionada pela educação artística e confundida com “história da música“ ou outras estórias de nomes e datas. 
As escolas são espaços de formação nos quais é estimulada a produção de conhecimentos;os alunos, além de representantes sensíveis e inteligentes de estados musicais, são potenciais muito mais ricos do que imaginamos, que merecem ser conhecidos e desenvolvidos com consciência e respeito desde onde se encontram, a fim de tomarem contato com algo essencial em si próprios até na relação com a vida, cumprindo assim seu papel na sociedade.

Referências:

KATER, Carlos. “Porque Música na Escola?: algumas reflexões”. In: JORDÃO, G., ALLUCCI, R., MOLINA, S., TERAHATA, A. (Coord.) A Música na Escola. SP: 3D3 / MinC, 2011, p.42-45.

A Música na Escola - por Cristiane Oliveira
A Música na Escola - por Cristiane Oliveira

Minhas reflexões:

por Magno Francisco

 

Na escola, a música deve ter um currículo sempre em construção, valorizando, integrando o arcabouço cultural que é trazido para a escola. Para além de um conjunto fixo de objetivos, em multiciplidade de olhares e experiências cotidianas. Não reduzindo essa amplitude no ambiente escolar, mas estimulando a ampliação e sensibilização, a construção - não de mero receptores de memórias passadas, construir a si mesmas e a sociedade em que vive.

PARTE 2

Sobre memórias, músicas e infâncias

O Início despertador

Fórum 3 - Uma viagem à sua infância

por Magno Francisco de carvalho - quinta, 26 set 2019, 20:37

 

Minhas lembranças estão entrelaçadas com a busca do sentido das coisas que me intrigavam. Desde os quatro anos de idade já queria saber os mistérios por trás delas. As recordações mais antigas remontam essa época, quando iniciei na educação formal na pré-escola. Era final da década de 1970, ainda na ditadura militar, e mesmo antes do fim daquele período  nefasto para a liberdade e a educação, tive experiências marcantes para meu desenvolvimento intelectual  e humano. 

Era uma escola gratuita de educação infantil em uma unidade da Fundação Leão XIII  que funcionava no prédio de três andares e quadra poliesportiva coberta no térreo do CSU (Centro Social Urbano) no município de Itaguaí, RJ.  O vivenciado no ensino-aprendizagem  àquela época se completa e se conecta hoje no estudo da pedagogia através da ludicidade e a participação na construção e criação do aprendizado; detalhes das brincadeiras e encenações musicais teatrais com o nosso cancioneiro regional - praticamente todos os dias havia contação de histórias e cantorias. Tornou-se inesquecível uma das participações que tive representando um dos personagens na música Terezinha de Jesus: cantávamos e dançávamos acompanhados pelas professoras. E sim, professoras! Eu era blindado com duas ótimas e amáveis professoras ao mesmo tempo! Ponho-me sempre a refletir o quanto esse ensino contribuiu de maneira significativa para minha formação de músico-professor em um período de criatividade e estímulo artístico-musical na escola.  Fui agraciado pela proposta humana da construção do ser. Considero que aquele ensino estava à frente do tempo e da realidade da maioria no Brasil.

Quanto a minha família, ninguém tocava instrumento, porém meu pai colecionava muitos discos sertanejos e havia ainda as canções religiosas. Desde cedo fui me apaixonando pela música, queria ser baterista logo de cara. Lembro-me quando meu pai, no início da década de 1980 chegou em casa com aquela vitrola de cômoda, com espaço para colocar doze discos para tocar em sequência. Ele a comprou junto com uma coleção de discos internacionais e nacionais, eu ficava o dia inteiro ouvindo os sambas enredos da década de 1970, Beatles, Elvis, Trio parada dura, Tião Carreiro e Pardinho, Tonico e tinoco, secos e molhados, Trilhas internacionais de novelas, Michael Jackson, Bee gees e tantos outros. A rádio era ligada o tempo todo. Logo após surgiu o rock Brasil, Blitz, Paralamas, Legião, RPM, Kid Abelha e foi inevitável procurar um instrumento para tocar, no caso dois, começando com bateria e violão.

Música da infância

Reflexões ao vídeo:

por Magno Francisco de Carvalho:

Nas canções da infância vemos muitas canções adultas e religiosas também, elementos de festas populares que se transformam em repertório do adulto para o infantil. Vemos corruptelas nesse transporte do adulto para o infantil de línguas como o francês, italiano... É uma transformação sincrética, mas que também representa uma adequação histórica e social para que as crianças entendam. Vemos que a poesia, a música e o movimento tem relação com o que, e de que forma pensa a criança.

Crianças e infâncias

Professora Wasti

Crianças e infâncias - Professora Wasti

Reflexões:

por Magno Francisco de Carvalho:

 

As crianças, como já pudemos refletir não são adultos em miniatura, "pessoinhas" que ainda serão "gente". Existem crianças e infâncias ao mesmo tempo com pluralidade e diversidade. As DCNEI - Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Infantil já nos atenta para elas como sujeitos de direito que constroem suas histórias e relações.

Crianças e infâncias

Acolhimento, curiosidade, descobertas.

Fotos: Magno Francisco de Carvalho - Turma de EI - Escola Municipal de Educação Infantil Monteiro Lobato - Itaguaí/RJ

Breve relato de uma experiencia na E.M. E.I Monteiro Lobato, Itaguaí/ RJ

Por Magno Francisco de Carvalho

Turma Pré II - 5 anos - realização do estágio em E.I, Licenciatura Pedagogia UERJ - Maio de 2018.

 

Cantando o amor com a música “Quando te vi” do mineiro Beto Guedes

 

Iniciei falando sobre o autor e suas obras, a importância do amor ali refletido, representado na letra da canção. Gesticulamos com todo o corpo o ritmo e em cada etapa construindo com eles a compreensão do amor em seus mundos e de duas em duas linhas memorizando a letra. Durante uma rodada de perguntas conversamos sobre isso, amor: quem tem uma mãe que não é biológica, que é cuidado por tio, tia, avós, muitos responderam terem mais de uma mãe, uma experiência muito confortável, as crianças sentiram-se muito à vontade e não queriam parar de se expressarem.
Depois, desenvolvemos atividade propostas com intensas participações, contamos palavras da letra da canção, repetindo na pulsação conforme o ritmo da música, dançando e gesticulando trechos da letra cada uma a sua maneira representando seu amor.
As crianças mantiveram-se capturadas pelo tema da canção. Acredito que houve um acréscimo muito importante à sensibilidade musical, oralidade a aquisição da escrita, bem como o aumento da visão cultural e social do mundo, da minha parte e das crianças.

 

O começo da vida

Síntese, por Magno Francisco de Carvalho:

O cérebro humano sempre está aprendendo, mas são nos primeiros anos de 0 a 3 que aprendem mais rápido do que dos 10 aos 13 anos, 20 a 23, 30 a 33... é sempre importante lembrar/relembrar que as crianças não vem a pré-escola como tábulas-rasas, senão cheias de experiências como sujeitos históricos que já são.  O contexto, o ambiente seguro, uma criança bem nutrida, possui uma série de habilidades e curiosidade para aprender. E, se ao contrário, falharmos como sociedade e produzirmos um ambiente nocivo à criança, inicia-se um ciclo de estresse e de muitos conflitos, falta de comida, carinho, consequentemente a criança não atinge seu potencial. Nos EUA, um estudo revela que para cada dólar investido numa criança, o retorno é de 7 dólares. A responsabilidade das crianças serem bem cuidadas é de todos!

Crianças e infâncias - Crianças x Adultos

Ms. Ana Carolina Martins

Crianças e infâncias - Crianças x Adultos

Síntese, por Magno Francisco de Carvalho:

É sempre importante lembrar: criança não é a reprodução de um adulto em miniatura. Ela já é um ser completo e sujeito de suas ações. Ela apenas é um ser que existe a menos tempo que um adulto, pensa, fala, se coloca, experimenta e cria novos sentidos para o mundo. 

Como se relacionar e entendê-las? Não através de uma fórmula, mas um exercício de escuta para pensar a formação da criança pequena na proposta da construção como sujeito. A criança tem que dizer e agir para entendermos como mediar o aprendizado. Precisamos estabelecer uma relação com as crianças, pois quando as escutamos pela primeira vez, às vezes não às acolhemos, não lhes damos créditos às suas experiências e descobertas. É uma educação com elas, para elas, conosco, para nós, dialógica, diferente da educação bancária.

A criança ávida por descobrir, descobre novos desvendamentos que os professores nunca pensaram - por isso dialógica também para nós, professores. A criança está pronta para construir significado, um ser que já é, e em crescimento. E a música para as crianças é a experiência de música das crianças, que é também o próprio fazer delas, escutar, experimentar sons, criar sons com o corpo, cantando, com objetos sonoros, instrumentos musicais, o ritmo da rima de uma parlenda dentre incontáveis possibilidades de ser, de se construir e reconhecer-se sujeito consigo e com o outro na alteridade.

Professora Dra. Maria Clara Camões

Concepções de infância

Síntese, por Magno Francisco de Carvalho:

A escola não é um lugar que só serve para os adultos  mandarem nas crianças, pois a infância é sempre a possibilidade de ascender. Portanto é preciso descolonizar a infância dos paradigmas a partir do olhar do adulto, que em muitas ocasiões ao querer ser um mero transmissor do "ser sabe-tudo", confere a criança as suas frustrações e seu espírito estagnado. Descolonizar a infância refere-se a reconhecê-la como um lugar de potência e experiência. Pensar que a infância só é diferente pelo tempo que esse ser, mais novo está no mundo.  

A música na vida das crianças
A música na vida das crianças

Síntese, por Magno Francisco de Carvalho:

A Criança se relaciona com a música:

  • Desde o ventre materno, o bebê;

  • Antes de falar, de andar, ele canta e dança;

  • Corporalmente, depois a fala.

Para a criança pequena é tudo muito misturado, ela faz música o tempo todo. O pedagogo musical canadense Murray Schaffer diz que para uma criança de 5 anos arte é vida e vida é arte. Elas exploram o mundo ao redor, querem descobrir os vários sons deste mundo sonoro e também o silêncio. Elas tem uma relação espontânea com a música e a natureza. além disso, explorando o jogo simbólico e a plasticidade dos materiais, as crianças representam seus instrumentos musicais preferidos, criando assim seus "instrumentos-brinquedos", numa atividade intensa participativa e de muito envolvimento. Se maravilham com os sons dos animais, imitam, "conversam" com eles, se fascinam! Desenvolvem uma relação sonora com os animais. No simples passeio por um bosque começam a cantar espontaneamente composições improvisadas. Por isso, é muito importante, como docente, observar como elas se relacionam co a natureza e com os sons ao seu redor.

PARTE 3

Desenvolvimento musical na infância e primeira infância

Helena Rodrigues: Educadora Musical portuguesa (Universidade Nova de Lisboa). Vale a pena conhecer o trabalho da Companhia de Música Teatral, da qual faz parte: www.musicateatral.com

Síntese, por Magno Francisco de Carvalho:

Uma importante relação entre a natureza musical e linguística. A "psicogênese da música", a aquisição da voz cantada em crianças de idade pré-escolar. As crianças desde muito cedo mostram um tipo de vocalização que é diferente quando estimuladas musicalmente. Muito cedo mesmo as crianças conseguem "sintonizar" musicalmente com a música.  Essas e outras conclusões expostas no vídeo demonstram os principais resultados do estudo para quem lida com as crianças antes dos 3 anos de idade.

Visita a Jardim Infantil

François Delalande: educador musical francês. Recomendamos a leitura de seu livro "La musica es un juego de niños" ("A música é um jogo de crianças")  (1995)

Teca Oficina de Música

Teca Alencar de Brito: educadora musical brasileira (Universidade de São Paulo). Indicamos a leitura deu seu livro "Música na Educação Infantil: uma proposta para formação integral da criança" (2003) e conhecerem sua oficina: https://www.tecaoficinademusica.com.br/. 
Como a disciplina tem um tempo restrito, optamos por apresentar estas vídeos curtos para possam se aproximar um pouco do que propõe cada um destes educadores.

Síntese, por Magno Francisco de Carvalho:

Arte, música, movimento, dançar, brincar. A linguagem da criança é artística e o contato das crianças com a música é desde a vida intrauterina.  Por isso, desde sempre a música deve estar presente na Educação infantil.  Interessante notar que a criança acha que já sabe tudo, ela toca um tambor, experimenta um apito, dedilha umas cordas, umas teclas e vai descobrindo e sentindo-se realizada. Para a criança estudar, descobrir música é antes de tudo um prazer! Isso significa que para ampliar os seus conhecimentos precisamos respeitar a maturidade delas, seu momento, suas descobertas e isso não invalida outras músicas: a criança não deve escutar só música Infantil. 

Música e o cérebro

Beatriz Ilari: Educadora musical brasileira (Universidade do Sul da Califórnia). Indicamos conhecerem seu livro: "Música na Infância e na adolescência: um livro para pais, professores e afcionados" (2013)

Síntese, por Magno Francisco de Carvalho:

De certa maneira, ao estudarmos o aprendizado musical humano, entendemos que existem dois tipos principais de pessoas: pessoas que aprendem música naturalmente, "enculturation"; e pessoas que aprendem de maneira formal ou em cursos especializados.

O aprendizado formal: acontece de muitas formas e maneiras. Durante um período da década de 1980 e 1990 ficou muito conhecida a expressão do "Efeito Mozart". A ideia de que estudar ouvindo música poderia aprimorar a inteligência, uma crença que se tornou muito difundida. Essas coisas podem estar relacionadas mas não são a mesma coisa.

Os efeitos positivos de se aprender música formalmente, associações à:

  • Raciocínio espacial

  • Consciência fonológica

  • Memória verbal

  • Auto-regulação

  • Estética de simetrias

  • Expressividade

  • Auto-estima

  • Capacidade mnemônica 

PARTE 4

O modo musical das crianças

Síntese, por Magno Francisco de Carvalho:

A criança faz a música de uma maneira muito livre, é importante a experimentação. Em princípio sem se preocupar com métricas e formas, sendo um fazer musical aberto e espontâneo. Isso não é espontaneísmo de pretexto como alguns educadores se ancoram para não elaborarem seus projetos. Mas, é necessário entender que as crianças criam o tempo todo e criações muito ricas. Dentro da proposta curricular deve haver essa compreensão para que não se impeça a criatividade de contribuir no aprendizado.

Experiências sonoro-musicais com as crianças pequenasPágina

Síntese, por Magno Francisco de Carvalho:

O que as crianças fazem na aula de música? - " A gente canta, canta e dança, canta o hino,canta com instrumentos". "Canta, dança, toca e brinca de música". "A gente ouve, toca, inventa música, se diverte, aprende... vê desenho de cantor".

notamos que o corpo está sempre presente, como potencializarmos? Que atividades usar?

Rizoma de experiências musicais

Demonstração prática do rizoma de experiências musicais

Som e movimento

Síntese, por Magno Francisco de Carvalho:

A experimentação do som e movimento. Diversas brincadeiras cantadas que dialogam com o corpo e o movimento:

  • memória musical

  • percussão corporal

  • escutar a "paisagem sonora"

  • prática instrumental (já pode ir trabalhando)

  • o pulso

  • deslocamento no espaço enquanto a música está tocando

  • Outras

Brincadeira dos sons

Síntese, por Magno Francisco de Carvalho:

A percepção do corpo e dos movimentos:

  • o sapo não lava o pé

  • adaptação com as sílabas dos nomes das crianças

  • o som de várias coisas

  • a identificação dos sons de várias coisas

Prática instrumental

Síntese, por Magno Francisco de Carvalho:

A crianças pequenas já tem muita vontade de tocar instrumento. Principalmente o trabalho com bandinhas. Tocar junto instrumentos de percussão ou improvisados (alternativos). Vários aspectos da música já podem ir sendo trabalhados. Compartilhar, prestar atenção um no outro, esperar a sua vez e outras possibilidades. É uma prática onde obtemos muita satisfação com os resultados, onde as crianças participam de forma ativa.

Ampliação de repertório

Síntese, por Magno Francisco de Carvalho:

O repertório deve ser pensado em diversidade, cancioneiro popular: Dorival Caymmi, Tom Jobim, músicas estrangeiras, clássicas, etc. Passam a cantar e tocar tal como as folclóricas cai cai balão, ciranda cirandinha... é muito importante a diversidade para a construção do saber musical, da sensibilização com a música. A ampliação de repertório sempre será útil para toda prática musical que as crianças venham a realizar.

Reflexões - Música como fator de desenvolvimento humano

Síntese, por Magno Francisco de Carvalho:

O corpo, a brincadeira, a afetividade, o brincar é sempre muito presente. Devemos refletir o que está sendo proposto numa brincadeira cantada, que aspectos humanos e musicais estão sendo desenvolvidos? O desenvolvimento integral da criança na educação infantil é o foco principal, o desenvolvimento humano através da música.

Síntese, por Magno Francisco de Carvalho:

A barca virou
                                                                 Tradicional portuguesa

 

A barca virou,
Deixá-la virar
A menina Lucia
Não sabe remar

Esse brinquedo musical português – como tantos que circulam pelo mundo – integra as crianças em torno da música enquanto fortalece vínculos que devem nortear as relações humanas em todos os espaços de convivência, incluindo os da educação. Crianças são seres brincantes, musicais, receptivos à energia que emana das forças sonoras. O fazer musical infantil integra uma gama de possibilidades: cantar, tocar, movimentar-se, desenhar e registrar sons, improvisar etc. É necessário considerar a presença dos “ruídos”, ou seja, das interferências que singularizam cada percurso.
A trajetória de cada ser humano é única, e esse fato deve ser reconhecido e valorizado no contexto da educação. A experimentação se sobrepõe à técnica dirigida e fazer música é uma questão de vontade, de desejo, de conquista” (Brito, 2007, p. 83). Aos três ou quatro anos de idade, o jogo musical valoriza aspectos de ordem qualitativa, a improvisação é, nessa fase, o modo musical por excelência. A apreensão intuitiva, fundada na observação, na repetição e na imitação, na vivência, enfim, tem importância significativa nos primeiros anos de vida, o que não implica, obviamente, ausência de reflexão. As crianças fazem-pensando, assim como pensam-fazendo, vivendo – na inteireza – o modo humano de ser, de se expressar, de construir e compartilhar conhecimentos. 

A barca virou cria pontes que adentram em outros mundos. Aproxima-nos de Portugal e de questões que podem emergir: o encontro com parte de nossas origens; a questão do idioma; os pontos comuns (ou distintos) com a brasileira A canoa virou; o ritmo e, enfim, com diferenças e semelhanças que nos unem como seres humanos.

É fundamental que o educador(a) observe e avalie aspectos de ordens diversas: a concentração para escutar e fazer; a disposição para criar e/ou para repetir algo; a experiência e os conhecimentos musicais que as crianças já trazem consigo, o senso rítmico e melódico etc. Conhecendo melhor as crianças com quem trabalhamos, enriqueceremos e aprofundaremos as relações com cada uma, bem como com o grupo, facilitando o acontecimento de experiências musicais efetivas e significativas; criar os próprios jogos, as próprias tramas, junto com as crianças, inclusive. É essencial que o trabalho com a música, nos planos da educação, se atualize em planos de convivência e comunicação marcados por um efetivo compartilhar. 

Em espaços nos quais se sentem participantes ativas, para além da mera repetição, as crianças reorganizam as experiências integrando fazer e pensar, repetir, criar e recriar. Assim também constroem conhecimentos. Importa que a música, nos territórios da educação, seja trabalhada em sua condição de jogo que permite trocas: consigo próprio, com o outro, com o ambiente.
 


 

PRÁTICA MUSICAL - 1

Compartilhando uma canção da minha infância com uma criança de até 5 anos. 

Por Magno Francisco - Aluno Mateus - 5 anos

A música que escolhi foi "Marcha soldado". Compartilhei com um aluno meu de "musicalização instrumental", como chamo minha aula de música para as crianças.

Aluno Mateus, 5 anos de idade, gosta de bateria e guitarra.

Ao compartilhar a música com o Mateus primeiramente ficou surpreso, pois eu não havia tocado essa ainda com ele. Seu contexto familiar é influenciado muito pelo pai, que houve muito rock e compartilha com ele. Mateus sempre quer tocar Guns "n Roses, Foofights, The purple e até Beathles. Porém, ele reconheceu a letra e espontaneamente começou a cantar.

- O Mateus responde bastante com o corpo;

- ele sorri e interage;

- Observo que apesar do contexto o folclore resiste, seja pelos amigos na pré-escola e vizinhos dele;

- ele gostou muito;

- perguntei qual instrumento ele gostaria de tocar a música, ele escolheu a bateria (já estava com as baquetas na mão);

- acompanhou sem que eu determinasse o ritmo.

Percebo que humanamente uma coisa não invalida a outra: a influencia do contexto familiar e nosso histórico musical do folclore.

Fórum 4 - Uma viagem à sua infância

Pergunte a pelo menos três criança de até 5 anos que músicas gostam de ouvir e cantar. Após ver o resultado das crianças pesquisadas por todo o grupo, reflita acerca da variedade e tipo de repertório trazido por elas. 

Três crianças, três sujeitos e pluralidades culturais

por magno de carvalho - terça, 29 out 2019, 20:09

 

Rafinha (Rafaela) - 3 anos: Filha da minha vizinha gosta de ouvir e cantar músicas evangélicas. Certo dia, a pequena Rafinha estava em minha calçada quando viu minha porta da sala de aula de música abrir correu, entrou, pegou o microfone e começo a cantar: "Apareça, vem nesse lugar, vem nesse lugar..." - a pessoa a quem a letra se refere é Jesus.

Mateus, meu aluno de bateria - 5 anos: Gosta de ouvir e cantar rock, hoje ele pegou o pedestal do microfone e montou do lado da bateria e começou a cantar uma música em inglês e tocar ao mesmo tempo a bateria.

Isaque, 5 anos: Músicas evangélicas, algumas folclóricas como cai cai balão e alguns funks cariocas, bem diverso (risos)

Reflexão

Pluralidade, diversidade, místico, religioso. Palavras que definem bem o "multi-verso" cultural em que nossas crianças estão inseridas onde vão se descobrindo, construindo seus sentidos, identidades. São momentos em que podemos refletir que a criança já é um sujeito, uma vida, um ser completo, com suas potencialidades sendo desenvolvidas em curiosidade e reflexo de seus ambientes familiares e culturais. 

PARTE 5

A música no desenvolvimento das

crianças a partir de uma abordagem sociológica

Dentro desta perspectiva, as crianças serão reconhecidas como co-construtoras de seu conhecimento. No que diz respeito à educação musical das crianças pequenas, serão trazidas discussões acerca das pluralidades musicais das crianças, compreendendo-as como criadoras musicais competentes. 

Serão apresentados conceitos de

“mundos sociais das crianças” e “culturas das crianças”.

Mundos sociais das crianças

Vídeo aula professora Wasti:

 Mundos sociais das crianças

Síntese, por Magno Francisco de Carvalho:

Uma criança aprende com a outra e como vimos no vídeo " Were Childrem sleep" há uma diversidade cultural no mundo todo. Na sala de aula observamos quantos mundos sociais existem ali presentes nas infâncias. É uma riqueza enorme para trabalharmos as diferenças culturais com a música. Valorizar o repertório cultural que as crianças trazem de suas famílias.

Segundo o educador Manuel Pinto  os mundos sociais da infância são compostos por: 

  • Pelas relações familiares

  • Pelas relações entre elas, entre os amigos

  • Pelas condições de vida

  • Da Linguagem, das expressões das culturas infantis

  • Das relações das praticas de consumo

  • Dentre outras

Vídeo aula - professor Ronaldo "Onde Mora Cada um"

Síntese, por Magno Francisco de Carvalho:

O exemplo da contextualização do mundo social das crianças. A construção de uma música com elas citando o bairro "onde mora cada um". Além da interação com os professores de educação física incorporando dança, coreografia e figurino de rap. Experiência marcante que levou além da colaboração mútua, o sentimento de pertencimento, de identidade dentro da diversidade. 

Depoimento Professora Cínthia Ramos - Educação Física 

As culturas da Infância

Vídeo "A cultura da Infância" - Ocupação Lydia Hortélio

Síntese, por Magno Francisco de Carvalho:

O repertório da cultura tradicional da infância está repleto de "Acalantos' (canções de ninar), para dormir e os "'Brincos", para acordar, despertar. As brincadeiras dos pequenos são cheias de movimento, rodas de escolha e outras misturadas com "pega-pega". Com o crescer o repertório acompanha a complexidade da necessidade corporal, uma cultura ligada ao movimento e a música. A cultura da infância está ligada ao movimento e a música e todos os povos no decorrer da história encontraram na música uma maneira de perpetuar suas histórias:: ritmo, fala, prosódia e música.. Por isso as crianças tem o que nos dizer, o que contribuir para a sociedade. Vemos nas crianças a expressão mais humana de encantamento com as coisas para o desenvolvimento do ser. Precisamos, antes de definir a cultura de uma infância, olhar para o fenômeno da consciência que aflora de maneira muito natural na criança: a atemporalidade, entender o elemento onírico da criança.  O pensar e o agir na infância estão sempre integrados, se dança, se pinta, se canta, tudo está junto na criação e recriação nos pensamentos e movimentos das crianças.  

Vídeo - Professora Wasti: As Culturas da Infância

Síntese, por Magno Francisco de Carvalho:

A sociologia da infância nos leva a refletir que para a criança pequena não há diferença entre o real e o imaginário, passado e presente. Uma realidade fantasiosa onde na cultura da infância a criação na imaginação é muito forte. Além disso, as crianças aprendem também o tempo todo umas com as outras, numa cultura de pares. Observando essa vivência de como elas trocam e constroem conhecimento passamos a entender melhor sua cultura.

Vídeo - Professora Wasti: Pluralidades de Crianças e Músicas

Síntese, por Magno Francisco de Carvalho:

Nas músicas que as criança trazem vemos uma diversidade grande para além das músicas infantis. Temos muitas possibilidades de repertório, mas devemos acolher o que elas trazem, para que dessa forma, atentemos para sua próprias identidades. 

Nos jogos de escuta as crianças desenvolvem sua própria sonoridade. Elas analisam os sons e são alimentadas culturalmente. Damos à elas elementos para criarem, pois não criam a partir do nada. Nas experiências a seguir vemos uma grande variedade de cultura musical que elas levam para escola, funk, música religiosa, dentre outras.

Vídeo - Professor ronaldo: Pluralidades - Embolada

Depoimento professora Tatiana - Embolada

PARTE 6

 As Crianças compreendidas como criadoras musicais competentes

Síntese, por Magno Francisco de Carvalho:

A Criação é uma necessidade do ser humano e a educação musical é fonte de criatividade na educação infantil. É preciso refletir no modo como as crianças criam de forma espontânea. Antes da criança chegar em torno dos 6 anos, ela se expressa com muito mais liberdade, sem amarras, sem relacionar a música diretamente com a escrita ou formas pré-definidas. É por isso que nessa etapa valorizamos suas criações, suas composições, mesmo que efêmeras, pois é muito comum a criança compor para cada situação do dia e as vezes esquecer a sua música inventada. Como refletimos anteriormente, a criança não cria do nada, mas parte sempre de uma vivência que ela trás do seu dia a dia em casa ou uma temática proposta em sala de aula. As crianças são capazes de re-significar uma tema proposto pelo professor. Notamos que, o professor não trabalha em espontaneísmo, isto é, uma aula a revelia, ele planeja a aula, mas sempre dando espaço e valorizando as crianças como criadoras musicais competentes.

Como as crianças criam suas músicas

 Processo de Criação coletiva - Hino da Educação Infantil

Professores Ronaldo e Wasti

Artigo - Composição Coletiva do Hino da Educação Infantil do Colégio Pedro II: um relato de experiência

Ronaldo Cotrim e Wasti Silvério Ciszevski Henriques
 

Síntese, por Magno Francisco de Carvalho:

A partir de março de 2012, o Colégio Pedro II passou a oferecer a Educação Infantil, primeira etapa da Educação Básica, voltada para crianças de três a cinco anos de idade. Em mais de 170 anos de existência, o colégio vem há apenas três anos tendo este grande desafio. Ao assumirmos o cargo de professores efetivos de Educação Musical do Colégio, em Março de 2014 percebemos a grande responsabilidade que nos esperava. Ficamos encantados com o espaço físico, planejado de forma horizontal com estrutura e materiais excelentes, além de uma grande equipe multidisciplinar nos segmentos da Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental, é seu espaço democrático. O ingresso é feito por meio de sorteio, que, aliás, é muito concorrido, chegando a cerca de 100 crianças por vaga. Esta proposta traz uma riqueza e diversidade muito grandes, pois recebe alunos de diferentes classes sociais e, consequentemente, grupos étnicos e experiências culturais. 

Em 2013, quando a Educação Infantil do Colégio Pedro II ainda era atrelada à Direção do Ensino Fundamental, as crianças cantavam o “Hino dos alunos do Colégio Pedro II”, com os alunos dos demais segmentos de ensino. A equipe considerou que a letra da música não fazia muito sentido para crianças de três, quatro e cinco anos, pois sua letra, trazia termos muito distantes da realidade delas, como, por exemplo, a seguinte frase: “Nós trazemos no olhar o lampejo de um risonho fulgente porvir”. A partir do contato com o Hino dos Alunos do Colégio Pedro II, surge a ideia de produção de um “Hino da Educação Infantil”, em que as crianças poderiam expressar de forma cantada o que a escola significa para elas. Para iniciar o trabalho de composição, realizamos uma contextualização levando vídeos do Hino Nacional e do Hino dos Alunos do Colégio Pedro II.

Levamos também hinos dos times de futebol, populares no Rio de Janeiro. As crianças, mostrando suas preferências e paixões, ficaram muito entusiasmadas e cada uma cantou o hino do seu “time do coração”. As crianças foram dizendo o que era mais significativo para elas que trouxeram muitas ideias. Seguem algumas delas: “Somos um time”, “Como amigos para sempre”, “Como uma família", “A nossa escola é muito legal”, “A nossa escola é genial”, “Nossa escola é bonita”, “A nossa escola parece um diamante”, “Eu gosto muito dessa escola”.

Ao começar o processo de composição da melodia, como procedimento didático optamos por criar situações em que tanto as produções individuais quanto as coletivas fossem valorizadas. Em grupos de quatro ou cinco alunos, as crianças criaram estrofes com quatro linhas, unindo frases pré-existentes e partindo do desenho melódico ou rítmico, proposto por algumas delas. A discussão era muito presente entre as crianças, até que se chegasse a um consenso para construção de uma frase. Por fim, com contribuição de outros colegas, as crianças chegaram a seguinte construção: “A escola é brilhante"/Parece um diamante/Ela é gigante/Igual um castelo grande”. Todo o processo de composição coletiva, baseado nos princípios defendidos por Koellreutter, foi gravado e pode ser visto no seguinte link: https://youtu.be/ovX2Fezj3l0.

Foi interessante identificar em suas produções elementos do contexto sociocultural em que estão inseridas. Por exemplo, a frase cantada por uma das meninas traz um desenho rítmico bastante caraterístico do funk carioca. Identificamos neste processo de composição do “Hino da Educação Infantil” a busca de identidade do grupo, representando a Educação Infantil no momento de construção e pertencimento em que vive. Nós, os professores de música, como mediadores de todo o processo, fomos responsáveis por reunir as diversas ideias e construções das quatro turmas, criando também a base harmônica da música. Enfim, com ajustes aqui e acolá o hino ficou pronto. Dalí a poucos dias teria sua avant première, com toda “pompa e circunstância”. Seria apresentado pelas crianças do GIII na cerimônia de inauguração do imponente teatro recém batizado de Bernardo Pereira de Vasconcelos, no Campus de Realengo. 

O primeiro ensaio com uma turma do GIII revelou algo muito gratificante: após repetir algumas vezes, já se podia ouvir um coro coeso e animado, totalmente identificado e satisfeito com o hino, em cada frase, em cada melodia eles se reconheciam. Eram os inventores daquela música. A professora Liana Borba, da Turma 33, se encarregou de dar uma forma final a estes gestos e, assim, o hino ganhou também uma singela coreografia.

Em 3 de dezembro de 2014, após uma semana de intensos e proveitosos ensaios, chegou o grande dia. A cerimônia foi conduzida pela professora Niágara Cruz, que executou o Hino Nacional Brasileiro e o Hino dos Alunos do Colégio Pedro II. O resultado foi uma experiência enriquecedora para todos os envolvidos e um importante legado deixado pelas crianças do GIII, que seguem agora para uma nova etapa em suas vidas.

No processo de composição coletiva com crianças de cinco e seis anos, elas foram consideradas como participantes ativas dos grupos sociais aos quais pertencem e como produtoras de cultura. Por fim, considerando as inúmeras possibilidades de se empreender a educação musical dentro de uma perspectiva criativa, democrática, social, cultural e humana, esperamos contribuir para avanços dentro desta abordagem no campo da Educação Musical, especificamente no segmento Educação Infantil.

PRÁTICA MUSICAL - 2

Considerando as crianças pequenas como criadoras musicais competentes, peça a um menino ou menina de até 5 anos que cante ou toque (no “modo musical” das crianças) uma música que “ainda não existe”. Faça reflexões acerca das características dessas criações.

Por Magno Francisco de Carvalho:

A pequena Rafinha de 3 anos:

Em outro momento, na prática anterior, Rafinha cantou espontaneamente uma música religiosa evangélica, agora, ao pedir que inventasse, ela foi tentando e de alguma forma a influência familiar sempre aparecia com uma música parecida com a religiosa. Porém, reinventando, acrescentando um nome diferente colocou "minha mãe" no refrão.  Continuando, no ambiente da sala ela olhou curiosa para capa de disco de vinil com flores e inseriu as flores na melodia:

"A flor é bonita, a flor é de Jesus, apareça, apareça...."

No mundo social da Rafinha a presença religiosa é marcante, mas a mãe que pinta unhas para sobreviver, as cores são muito presentes. Ela também está sempre "fofinha e linda", uma criança negra com os cabelos como são, cuidados pela mãe. As roupas também sempre combinando  com os coloridos. 

A Rafaela canta o tempo todo, sempre que me vê saindo a pé ou de carro quer vim cantar comigo. Desde muito cedo, quando ainda tinha 1 ano, já demonstrava muita atenção pela música.

Como minha vizinha imediata do lado esquerdo da minha casa a vi crescer até agora com quase 4 anos. Em sua casa há muita música além de ir com a mãe à igreja.  

A cultura das infâncias é fantástica, criativa, cheia de vida, não há como não se apaixonar. Como professores e professoras, se pudermos nos permitir o compromisso de olhar e refletir na riqueza da imaginação e criação das crianças e mediar o crescimento com responsabilidade e respeito pelas crianças como sujeitos que já são, poderemos potencializar sua criatividade, sua capacidade cognitiva, sua humanidade e respeito ao próximo. 

A valorização dos conhecimentos que a criança já possui, seu universo cultural, através de atividades que deem sentido a vida cultural das crianças. Liberdade e respeito com o que a criança experimenta, opta e assume. Às suas características e diferenças individuais, e ainda, à sua evolução biopsicossocial. Isso só pode ser possível com atitude séria por aqueles que lidam com o educando, que sejam conscientes de suas responsabilidades e devidamente preparados tecnicamente para um bom desempenho.

PARTE 7

 As músicas e as Crianças de mãos dadas na escola

Possibilidades e desafios da Música na Educação Infantil

A realidade x alternativas

por magno de carvalho - segunda, 11 nov 2019, 22:46

 

Creio que as possibilidades são muitas, principalmente pela espontaneidade das crianças em meio a diversidade de suas culturas. Podemos trocar, compartilhar e criar a partir das mais variadas experiências. Temos grandes desafios que na maioria das vezes atribuímos somente a falta de material como uma sala de música, instrumentos, etc. Porém, as possibilidades com materiais alternativos, com a paisagem sonora, como o movimento, o corpo, a voz... Tudo é material para trabalhar na Educação infantil. Precisamos acreditar nas crianças. Acreditar que são competentes para criar, criar música. Respeitar e refletir na espontaneidade delas ajudando alimentando suas culturas com propostas de projetos sempre contextualizando e possibilitando-as, oportunizando-as como gestoras ativas de seu crescimento e sensibilidade humana e musical.

Depoimento professora Tatiana Freitas

 Música na Educação Infantil 

Princípios da Educação Infantil: escuta, cuidado e integração

 Professora Kátia Bizzo

Síntese, por magno de carvalho 

 

Os Três princípios fundamentais para pensarmos a prática pedagógica na Educação Infantil:

O Cuidado: Cuidado consigo mesmo, com o outro e com o nosso espaço, o ambiente

 

A escuta: pedagogia da escuta, além da linguagem verbal, a escuta do corpo, das expressões, dos movimentos, do outro, das relações, o que as crianças estão querendo fazer. Potencializar a aprendizagem a partir das necessidades daquele momento, o que os corpos dizem são muito mais importantes  do que qualquer conteúdo pronto. 

 

A integração: Entre as crianças, entre a turma, com outras culturas que estão fora da escola. Uma integração entre as diferentes linguagens, a música, a informática, a educação física, arte, letramento, raciocínio matemático, tudo está interligado.

Música na Educação Infantil: um currículo de experiências musicais com e a partir das crianças 

O trabalho por Projetos e a Integração de Linguagens

Vídeo - O trabalho por Projetos

Professora Liana Borba 

Síntese, por magno de carvalho 

 

Pensar a música na Educação Infantil é ir muito além das canções de datas comemorativas. Trabalhar com projetos nos ajuda a pensar a música com a educação para as crianças de forma a ultrapassarmos a perspectiva de músicas de comando. Os projetos nos levam a construir e incorporar a música como uma linguagem. É uma estratégia pedagógica que proporciona relacionar diversos campos de saberes num processo onde as crianças são sujeitos na ação proposta com os professores. Estes, por sua vez, podem refletir antes e durante o processo, contextualizando e percorrendo o caminho criativo das crianças fazendo os devidos ajustes conforme for necessário.

Vídeo - Projeto "Era um dinossauro"

Professor Ronaldo 

Vídeo - Projeto "Lá vai o foguete"

Professor Ronaldo 

Vídeo - Depoimento Professor Pablo Faria

Vídeo - Projeto "A História da Lagarta" Professora Wasti

PRÁTICA MUSICAL - 3

Prática musical -  Converse com uma criança pequena (até 5 anos) e identifique algo que lhe desperte curiosidade  e que poderia ser tema de um projeto. Com base nesta temática, crie uma proposta musical (uma canção, uma parlenda, uma história sonorizada, um jogo musical, etc. ...) pensada para uma turma de Educação Infantil. 

Por Magno Francisco de Carvalho

 

Mateus de 5 anos ficou fascinado com o ritmo da música no vídeo “We will rock you" do grupo Queem, mas que ele viu numa versão animada sobre o meio ambiente, a transformação dos estados da água. A partir desse interesse e curiosidade, elaborei a seguinte proposta:

 

"Tum-tum - pá, cor-ro - vou¹"

(Colcheias e semínimas)

 

Turma: Pré II - 4 e 5 anos

 

Nº de alunos: 12

 

Duração: 2 semanas, 2 aulas de 40 minutos

Objetivos (sempre flexíveis e adaptáveis):

  • Perceber o corpo como produtor de som e de movimentos; Conduzir o aluno a perceber o estímulo sonoro ; Propiciar a movimentação natural; Possibilitar a prática da coordenação motora dos membros superiores e inferiores; Desenvolver a linguagem oral, falada e cantada; Estimular a sociabilidade e respeito mútuos; Desenvolver o espírito de organização e disciplina pessoal.

 

Aula 1:

 

1ª Parte:

Apresentação do vídeo:  “We will rock you: water boy Evian commercial”,  disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=FPvk8K4K8oY. Uma exibição para conhecimento dos alunos;

 

2ª Parte:

O professor convida todos a ficarem de pé e acompanharem as batidas com as mãos: Tum – Tum - pá, Tum -Tum - pá.

 

3ª Parte:

Nesta etapa, explora-se o som do ritmo com a voz, as possibilidades de imitação e reprodução de cada um. O professor grava o som de cada um no celular e coloca para as crianças ouvirem, compartilharem identificando umas as outras

 

4ª Parte:

Mais uma execução do vídeo trabalhando com os alunos os pés (Tum –tum) e mãos (pá). Os alunos percebem aqui o som mais grosso (tum) e o mais fino (pá). Outras possibilidades são exploradas com o corpo como bater no peito e palmas, nas coxas e palmas, etc.

 

5ª Parte

É hora de registrar espontaneamente com desenhos, letras, cores no papel representando o som numa "partitura"

 

Aula 2:

 

6ª Parte

·Na aula seguinte o professor faz uma nova  exibição, o sugere palavras Onomatopéias “Cor-ro - vou” para tocar o tum - tum - pá

·O professor realiza uma dinâmica de movimento com os alunos no ritmo:

Cor-ro: dois passos pra frente, um passo por sílaba e Vou: terceiro passo consecutivo aos dois e espera, depois repete progredindo pela sala livremente cada aluno

 

7ª Parte

·experimentação com instrumentos e ou objetos sonoros;

·O professor pode estabelecer a correlação das onomatopéias do ritmo com as duas figuras musicais semínima e colcheias, com seus respectivos desenhos;

·As crianças registram uma composição utilizando desenhos livres e os desenhos das figuras musicais (por que não?), tudo depende da percepção e da observação do professor que estimula de maneira livre a utilização delas.

 

Avaliação:

O professor  avalia o interesse e a participação em todas as etapas, procurando sempre refletir nas possibilidades na diversidade encarando os desafios de entender possíveis desestímulos e erros como uma oportunidade para entender a lógica que a criança estabeleceu para se expressar buscando alternativas para que ninguém se sinta menor ou fique de fora.

 

Referências: 


BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Brasília: MEC/SEB, 2010.

 

CERRUTI, Dámaso. Alegria de ser - Suíte em três movimentos para música de nossos pensamentos. Rio de Janeiro, H. SHELDON, 1998.

 

CUERVO, Luciane. Paisagem Sonora e Notação Musical: Ou sobre Percepção e Grafia dos sons. Material produzido para fins didáticos. Porto Alegre: Departamento de música/UFRGS, 2010.

 

DUARTE, Mônica. Artes na educação. Fundação CECIERJ. Rio de Janeiro, 2013.

 

Schafer, R. Murray. O ouvido pensante. Ed. UNESP, 2011.

 

SCHAFER, R. M. Quando as palavras cantam. In: _______. O ouvido pensante. Tradução de Marisa Trench de O. Fonterrada et al. 2. ed. São Paulo: Ed. Unesp, 2011. p. 195-262.

 

SCHAFER, R. M. O rinoceronte na sala de aula. In: _______. O ouvido pensante. Tradução de Marisa Trench de O. Fonterrada et al. 2. ed. São Paulo: Ed. Unesp, 2011. p. 276-241

 

VISCONTI, Márcia; BIAGIONI, Maria Zei. Guia para Educação e Prática Musical em escolas. ABEMÚSICA - Associação Brasileira de Música. São Paulo, SP.

 

¹Do método de Violeta de Gainza

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